Rinocerontes Choram Diamantes
Quando ainda existia uma menina que tinha olhos. Uns olhos de nove anos que corriam atrás. Poderiam ter corrido atrás de mim se a tivesse conhecido. Poderiam ter te aprisionado dentro deles. Os olhos de nove anos mais velhos que você poderia ter visto. Pesados e caídos, quase formando bolsas, que só a avó dela tinha. Olhos de choro sem chorar, não tinha pra que. Olhos de sofrimento sem sofrer, não tinha como. Olhos de sono dormindo o dia todo.
Então, os olhos que tanto procuravam, de tanto correr atrás, acharam. Acharam um animal. Animal grande e, segundo Olhos, não muito bonito. Animal de pele velha, meio cinza. E Olhos passaram rápidos por ele.
No dia seguinte Olhos viu o tal animal mais um vez. Mas dessa vez, que súbito, Olhos se encantou. Viu no animal o que achara que nunca encontraria em alguém e muito menosem algo. Era de uma calma e de uma sabedoria que abriram o coração de Olhos, a fez pensar que era possível ser feliz num dia de chuva, ou num domingo, ou num domingo chuvoso até. Olhos viu os olhos do animal.
E Olhos parou. Não conseguia mais se mover por minutos, muitos. Ela queria ter aqueles olhos. Não era inveja, mas era claro que ela precisava mais dos olhos do que aquele animal.
Ela agora precisava ter aqueles olhos. Era necessário, era tão necessário quanto nascer. E andou calmamente. Olhos rodeava o animal como a criança que, com muita fome, espera a comida ficar pronta. Até que Animal surpreendentemente falou com ela, perguntou o que queria menina tão bonita perto de bicho tão feio. E em um impulso de sinceridade que olhos nunca pensou que ia ter na vida. Seus olhos, quero seus olhos. Animal se assustou. E fez Olhos tremer, tremer de pena e de um nojo que começaram a tomar conta dela bem na hora que ele começou a chorar. E Animal não chorava lágrimas, chorava pedras pequeninas e brilhantes, que para ela eram a representação de toda a fraqueza daquele bicho. Aqueles olhos tinham de ser dela. E quando fossem nunca mais chorarinham pedacinhos de vidro. Os olhos que Olhos queria, se fossem dela, iam chorar rios de lágrimas vivas, salgadas e líquidas.
Animal se aproximou e disse que os olhos seriam dela, se ela realmente os quisesse. Que ela tinha sido a única pessoa que tinha tido coragem de pedir. E que eles não tinham muita serventia para um bicho tão estranho como ele. Olhos não se fez por rogada, arrancou os olhos do Animal e não deu os seus em troca.
Correu, correu....com os olhos bem apertados na palma da mão. Se sentindo maior do que era. A um passo da porta da eternidade. Olhos se sentou no pé de um ávore. E foi alí que trocou. Tirou os seus olhos vividos sem viver e botou no lugar aqueles olhos frescos cheios de profundidade.
E olhos foi vivendo. Vivendo. E enquanto vivia percebia que o choro duro do Bicho não era fraqueza. Que aquele choro era próprio dos olhos, de seus olhos agora. Talvez uma penalidade, uma penalidade por possuir olhos tão cheios de alma. Por ter olhos que bastavam por si só. Que não presisavam de pernas, nem braços e muito menos cérebros. E esses olhos santificados eram olhos de rinocerontes. E foi a partir daí que Olhos descobriu que rinocerontes choravam diamantes. E a partir de Olhos que pessoas passaram a chorar assim também. Mas só quando estão sozinhas e no escuro absoluto.
Então, os olhos que tanto procuravam, de tanto correr atrás, acharam. Acharam um animal. Animal grande e, segundo Olhos, não muito bonito. Animal de pele velha, meio cinza. E Olhos passaram rápidos por ele.
No dia seguinte Olhos viu o tal animal mais um vez. Mas dessa vez, que súbito, Olhos se encantou. Viu no animal o que achara que nunca encontraria em alguém e muito menos
E Olhos parou. Não conseguia mais se mover por minutos, muitos. Ela queria ter aqueles olhos. Não era inveja, mas era claro que ela precisava mais dos olhos do que aquele animal.
Ela agora precisava ter aqueles olhos. Era necessário, era tão necessário quanto nascer. E andou calmamente. Olhos rodeava o animal como a criança que, com muita fome, espera a comida ficar pronta. Até que Animal surpreendentemente falou com ela, perguntou o que queria menina tão bonita perto de bicho tão feio. E em um impulso de sinceridade que olhos nunca pensou que ia ter na vida. Seus olhos, quero seus olhos. Animal se assustou. E fez Olhos tremer, tremer de pena e de um nojo que começaram a tomar conta dela bem na hora que ele começou a chorar. E Animal não chorava lágrimas, chorava pedras pequeninas e brilhantes, que para ela eram a representação de toda a fraqueza daquele bicho. Aqueles olhos tinham de ser dela. E quando fossem nunca mais chorarinham pedacinhos de vidro. Os olhos que Olhos queria, se fossem dela, iam chorar rios de lágrimas vivas, salgadas e líquidas.
Animal se aproximou e disse que os olhos seriam dela, se ela realmente os quisesse. Que ela tinha sido a única pessoa que tinha tido coragem de pedir. E que eles não tinham muita serventia para um bicho tão estranho como ele. Olhos não se fez por rogada, arrancou os olhos do Animal e não deu os seus em troca.
Correu, correu....com os olhos bem apertados na palma da mão. Se sentindo maior do que era. A um passo da porta da eternidade. Olhos se sentou no pé de um ávore. E foi alí que trocou. Tirou os seus olhos vividos sem viver e botou no lugar aqueles olhos frescos cheios de profundidade.
E olhos foi vivendo. Vivendo. E enquanto vivia percebia que o choro duro do Bicho não era fraqueza. Que aquele choro era próprio dos olhos, de seus olhos agora. Talvez uma penalidade, uma penalidade por possuir olhos tão cheios de alma. Por ter olhos que bastavam por si só. Que não presisavam de pernas, nem braços e muito menos cérebros. E esses olhos santificados eram olhos de rinocerontes. E foi a partir daí que Olhos descobriu que rinocerontes choravam diamantes. E a partir de Olhos que pessoas passaram a chorar assim também. Mas só quando estão sozinhas e no escuro absoluto.

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